Homenagem a Paulinho da Costa
6716 faixas, 972 artistas, 161 contribuições em músicas indicadas ao Grammy, sendo 59 delas vencedoras. Esteve em 12 canções e trilhas sonoras vencedoras do Oscar. Participou em 186 discos de ouro em platina, entre álbuns e singles.
Esses números extravagantes são do percussionista Paulinho da Costa, homenageado — em vida — no documentário The Groove Under The Groove: Os Sons de Paulinho da Costa. Pouco conhecido no Brasil, Paulinho esteve entre os músicos mais requisitados no cenário musical estadunidense.
O documentário segue o próprio Paulinho conversando com grandes produtores e músicos com quem trabalhou, entre eles Quincy Jones e Earth Wind and Fire. Para além dos que aparecem junto com ele, há menções de momentos com Michael Jacksson, Madonna e outros grandes nomes da música pop.
O filme é simples, feito para agradar — o que foi uma das críticas a biografia do Michael Jackson — mas isso faz com que a gente crie ainda mais empatia com um artista que, sem dúvidas, foi muito querido pelas pessoas com quem ele trabalhou.
Conversando com seus amigos e relembrando momentos nos palcos em nos estúdios, o documentário também serve como um registro histórico da música dos anos 70, 80 e 90, com suas evoluções musicais e mudanças de estilo dos cantores.
Não há entrevista, somente bate-papo, e isso pode fazer com que a audiência sinta falta de mais profundidade, mas há um vasto conteúdo sobre ele na internet para quem deseja descobrir mais sobre o artistas.
O ponto alto, pra mim, são as cenas em que Paulinho toca músicas de sucesso entre as conversas com seus amigos. Só isso seria suficiente para reconhecer a genialidade do artista que, sempre com um enorme sorriso, imprimia seu groove em cada canção.
Sobre o filme em si, não gostei da narração e da montagem, mas vale a pena superar a vergonha alheia em alguns momentos para conhecer um grande artista brasileiro que, pelo menos pra mim, passou despercebido durante todo esse tempo.
Vale notar que o artigo sobre ele na Wikipedia em inglês é mais completo e melhor escrito que o em português. Isso explica um pouco como ele é bem mais conhecido por lá do que aqui. Tomara que o documentário consiga mudar esse cenário.