A astronauta de Taubaté e a mídia do Boimate

Nos ultimos dias, descobrimos que a primeira mulher brasileira a ir para o espaço vai ficar por aqui mesmo, na Terra. Eu só a conheci quando fiquei sabendo da sua "não ida" aos confins do universo, mas ela ja vinha fazendo fama pela internet tupiniquim.

Desde que descobriu e nomeou um asteróide em um programa da NASA, emplacou diversas manchetes nos noticiários nacionais, onde suas falas eram as únicas fontes e suas publicações nas redes sociais as referências.

A personagem era formada em física em universidade federal, passou por grandes faculdades estadunidenses e tinha o título de mestre em física quântica por uma outra instituição famosa internacionalmente. Tudo isso com apenas 22 anos.

Mas o que mais me surpreendeu nesta história foi o papel dos jornalistas que passaram por ela e, em nenhum momento, pensaram em verificar as informações. Não aprenderam nada com a Grávida de Taubaté, o Fotógrafo da ONU, a Química de Harvard, Escola Base, Boimate...

Não culpo exclusivamente quem entrevistou a personagem ou escreveu as matérias. Sei que os cliques têm enorme influência na produção jornalística atual. As redações precisam cumprimir metas de acesso e engajamento impostas pelos donos dos veículos de comunicação.

Mas não posso deixar de notar e responsabilizar os indivíduos que não separaram 20 ou 30 minutos pra utilizar a internet para além das redes sociais, mandar alguns emails, pesquisar nos sites das instituições ou, simplesmente, perguntar pra alguém.

Para mim, casos como estes não refletem apenas na autoridade dos veículos ou dos jornalistas envolvidos, mas respingam também na credibilidade do jornalismo como um todo.

A grande mídia está cada vez mais desacreditada, com baixa confiança. As pessoas preferem se informar pelas redes sociais e tem influenciadores como porta-vozes. Erros assim fortalecem a narrativa dos conspiracionistas e atrai mais pessoas para o lado deles.