O capitalismo tardio em Black Mirror

Comecei a assistir a ultima temporada de Black Mirror nessa semana. Achei os dois primeiros episódios horríveis. Roteiro fraco, previsível e fiquei com a sensação de que parecia uma sátira sobre a própria série, bem no estilo Zorra Total.

Apesar de não ter gostado, o capítulo um da sétima temporada, "Pessoas Comuns", me chamou atenção pelo plano de fundo da história: duas pessoas comuns da classe trabalhadora. Uma emergência, algo fora do planejado e a família desmorona.

Isso diz muito sobre nossa sociedade atual. Famílias com o orçamento apertado, tendo que tirar de uma conta para poder pagar outra. O lazer é raro, uma vez por ano se faz algo diferente.

Para encaixar alguns dólares a mais no orçamento, o homem começa a realizar horas extras no serviço e um bico a noite na internet, dormindo cada vez menos e passando o dia totalmente cansado, só vendo a esposa na hora de dormir.

De alguma forma, isso é o padrão que se tornou aceitável nos dias de hoje. Dedicar todo seu tempo ao trabalho e relegar a sua família apenas algumas horas do seu dia.

Vivendo dessa forma, a demissão é o maior medo de ambos. Se a renda principal da família for comprometida, o desespero toma conta da casa. Infelizmente, é o que acontece com as personagens.

A solução que encontram? Suicídio.