Ser desempregado

Fui mandado embora no início do mês passado, após pouco mais de 30 dias no novo emprego. Saí de uma agência de publicidade para tentar algo novo, em um setor diferente. Infelizmente, não deu certo, e agora faço parte das estatísticas do desemprego.

Desempregado é como os jornais, as revistas e os demais meios de comunicação se referem a nós, as pessoas que não têm um emprego. Às vezes são autônomos, empreendedores, mas a maioria, como eu, busca se realocar no mercado formal de trabalho da maneira mais tradicional: enviando currículos.

Eu faço muitas coisas durante o meu dia. Exercícios, cozinho, estudo e também tenho uma personalidade para além do meu título profissional. Como nada disso me remunera financeiramente, para todos os efeitos, me cabe o "cargo" de desempregado.

No capitalismo tardio em que estamos vivendo, parece que existem dois tipos de pessoas: aquelas que batem cartão diariamente em uma empresa ou indústria, os empregados, ou os que estão fora do mercado empregador. Mesmo que almejem outros objetivos fora dessa lógica capitalista, são desempregados.

Não trabalhar é insulto. Chamar cidadãos de vagabundos elegeu um presidente no Brasil. Dizer que não quer ou não gosta de trabalhar soa estranho para a maioria das pessoas. A não ser que seja viver de renda. Mesmo assim, é comum ouvir que não conseguiriam ficar parados por muito tempo, como se a única forma de se manter ativo fosse com o trabalho.

Estudar, se exercitar, se dedicar a hobbies não é visto como uma maneira de levar a vida. É necessário que estejamos sempre produzindo algo para alguém. Sinto que fomos condicionados a pensar assim, que não é culpa nossa, mas está tão interiorizado em nosso ser que temos um termo para definir quem não trabalha: desempregado.