Skate como ferramenta de cidadania na zona norte de Ribeirão Preto
Há seis anos, Lucas Alves leva cidadania através do skate para crianças da Zona Norte de Ribeirão Preto. Skatista desde 1994, sempre trabalhou com o board na cidade e, após uma grande trajetória, resolveu montar o projeto social.
Hoje, após tocar o projeto por conta própria, tem uma parceria com a Next Up Foundation, uma organização sem fins lucrativos com sede na Califórnia, Estados Unidos, fundada pelo skatista ribeirãopretano Vinicius Tinoco, o Vina.
A vontade de trabalhar nesse lado do skate surgiu por volta de 1996, quando o Sandro "Testinha" convidou Alves, para uma apresentação do Skate Social, projeto do Testinha, na antiga FEBEM. "quando eu vi ele palestrando para aqueles moleques, cara, eu me apaixonei por isso", comenta.
Na época, ainda tinha muito skate para andar e, como também não havia um local apropriado, adiou os planos. Após conseguir um espaço no Quintino II, hoje a pista Ribeirão Skate Point, RSP. Alves decidiu colocar o sonho em prática. "vou trabalhar esse lado que o Sandro me ensinou", lembra.
A maioria dos alunos que frequentam o projeto são da região do entorno da RSP e precisam estar matriculados e frequentando a escola. " O principal objetivo do projeto é formar cidadãos", frisa Alves.
"A cultura do skate é muito boa para você levar para a vida. O ensinamento que o skate dá, se você colocar na sua vida particular, em outras vertentes da vida, vai ver que tem tudo a ver, é muito bom. E a gente usa essa filosofia", destaca.
Por enquanto, as crianças levam os próprios equipamentos, mas há também parcerias com skateshops da cidade. Um container vindo dos Estados Unidos com diversos produtos para o projeto aguarda liberação da Receita Federal.
E com orgulho, Alves fala das turmas que participaram do projeto. Ex-alunos se formando em faculdade, outros abrindo o caminho do skate profissional. "Graças a Deus esse caminho a gente conseguiu trilhar com eles", finaliza.
"A gente viveu uma repressão muito grande nessa época aí. Hoje, você vê os pais levando os filhos para fazer aula de skate e é muito gratificante. E o pessoal reconhecendo o skate como esporte, também. Isso não tem preço para quem é lá de trás", diz.