Bank Skate Spot é a síntese do skate DIY
Se a gente tivesse que escolher um símbolo para representar a cultura do skate DIY, Do It Yourself (Faça Você Mesmo), a Bank Skate Spot, BSS, estaria no topo entre as opções. Localizada no Jardim Manoel Penna, a pista começou a ser construída pelos próprios locais em 2018.
Uma quadra vazia e abandonada foi vista como uma tela em branco pronta para receber uma arte em alvenaria pelos olhos dos skatistas que queriam um lugar pra andar e chamar de seu. No Dia do Trabalhador, primeiro de maio, nascia a BSS.
Tudo começou com uma única rampinha de madeira colocada no meio da imensa quadra rodeada de mato alto. Foi o suficiente pra atrair a atenção dos skatistas atentos que passavam pela região e reunir o que podemos chamar de zeladores da Bank Skate Spot.
Há mais de 20 anos andando de skate, Ulisses Vittori já construía os próprios obstáculos junto com os amigos na Vila Tibério e enxergou ali a oportunidade para levantar uma pista. Afinal, quem nunca sonhou com a própria pista de skate no quintal de casa?
“Eu estava descendo de moto e vi a rampinha. Fui lá, comecei a trocar ideia e mandei mensagem para os meus amigos”, disse Vittori. Já no outro dia, todos se reuniram e perceberam que os propósitos estavam alinhados e, com o nome já definido, deram início à história da BSS.
Por conta do receio do presidente da associação de moradores, os obstáculos eram móveis e feitos em madeira. “Ficamos nessa de de construir em madeira por uns oito meses”, comenta. Até que resolveram fazer o “titanic” em cimento e, após avisarem o presidente, ele falou “toca o barco”.
Tudo é feito com a colaboração de quem frequenta a pista, seja em mão de obra ou dinheiro. E o receio da associação virou admiração. “A gente deu vida pro lugar”, fala Vittori. “E sempre desse jeito: é a gente pondo a mão na massa, a gente fazendo”.
Para angariar fundos, são feitos pequenos campeonatos, como a melhor manobra, e o valor das inscrições são revertidos para as novas construções. E os prêmios vem dos próprios amigos e frequentadores, sendo tatuagens, shapes etc.
E o conhecimento técnico é natural para quem já vem construindo obstáculos desde que começou a andar de skate, garante Fabrício Cebola, que também é tatuador. “Nosso tempo até hoje, no skate, foi construindo. Skate DIY”, coloca Cebola.
Outro ponto importante que vale destaque é a ideia dos obstáculos acessíveis, tanto para quem está começando, como para quem é mais velho e está voltando a andar de skate. “A nossa proposta sempre foi fazer obstáculo acessível, um rolê mais tranquilo”, finaliza Vittori.