Registros de armas de fogo tem aumento expressivo em Ribeirão Preto

O registro de armas de fogo em 2020 em Ribeirão Preto aumentou 45% em relação ao ano de 2019. A aquisição das armas por cidadãos, ou seja, pessoas sem prerrogativas por função, representa mais metade desse aumento. Os dados são da Polícia Federal, obtidos através do portal da Transparência.

Ao todo, são 812 novas armas em registradas na cidade. Segundo o José Manoel Ferreira, Especialista em Segurança Pública, o aumento se deve justamente pela flexibilização da compra, dando acesso a qualquer cidadão que se enquadre nas exigências da lei.

Ainda de acordo com o especialista, as altas taxas de desemprego podem ter colaborado com a alta demanda por armas. "Desempregados com curso de vigilante ou não adquirem armas e pedem o registro para trabalharem", diz.

Ferreira frisa que, apesar do registro, é necessário a autorização para o porte. Ao comprar, o registro é obrigatório, mas obter o porte da arma, o que permite sua utilização, é um processo distinto. "Mas muitas pessoas estão portando a arma de fogo ilegalmente para trabalharem como segurança", acrescenta.

Notório pelo discurso armamentista, Bolsonaro assinou quatro novos decretos na última sexta-feira, 12, que flexibilizam o uso e a compra de armas de fogo no Brasil. Estes decretos substituem outros quatro que o presidente já havia assinado sobre o tema.

Ao todo, o país fechou 2020 com recorde no número de registros na Policia Federal, com quase 180 mil novas armas. Um aumento de 91% em relação a 2019, ano em que também houve uma forte alta desde 2009, ano em que os dados começaram a ser disponibilizadas.

Homicídios dolosos aumentaram em 15% no mesmo período em Ribeirão Preto, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Os registros não deixam claro se foi utilizado arma de fogo ou não.

As ocorrências por porte ilegal de armas aumentaram na região de Ribeirão Preto, porém, as apreensões diminuíram em 11%. A maioria dessas ocorrências ocorrem porque o cidadão tem o registro, mas não possui o porte.

"Se a arma será ou não apreendida cabe à autoridade policial, que é o delegado de polícia, seja civil ou federal. Por isso os números de apreensões não conferem com o número de ocorrências de porte ilegal", finaliza Ferreira.